Sempre me senti uma
convidada desta vida que
supostamente
me pertencia.
Tanto jurava
ser protagonista como
dava passos
desejando entregar
por uns dias
essa responsabilidade
e recuperá-la apenas
quando me apetecesse.
Vivia a sentir
os dois papéis
rasgando um
alinhavando o outro
porque a condição
de ser frágil respira por entre
um coração que nunca se
esconde.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Fácil 13.09.2011
Ser quem não sou
era fácil
mas irreal
não quis esperar mais e
docemente
troquei os sentidos
e que nem chuva de Verão
apareci inesperada
na minha própria vida
vi o meu amor tratar
do resto
basta o que eu fiz
acabou
era fácil
mas irreal
não quis esperar mais e
docemente
troquei os sentidos
e que nem chuva de Verão
apareci inesperada
na minha própria vida
vi o meu amor tratar
do resto
basta o que eu fiz
acabou
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
A canção 08.09.2011
E assim
sem o esperar
como um reflexo que não contenho
adoro-a ainda mais.
Nunca mais a vou esquecer
as palavras cantadas
e o mais impressionante
é que eu já a conhecia
há muitos anos
e sempre concordei
com a sua elegância
Por dentro nada está extinto
e, por fora,
essa canção que pertencia
ao mundo
é minha agora, é nossa.
Os vestígios estão reunidos no meu
coração.
sem o esperar
como um reflexo que não contenho
adoro-a ainda mais.
Nunca mais a vou esquecer
as palavras cantadas
e o mais impressionante
é que eu já a conhecia
há muitos anos
e sempre concordei
com a sua elegância
Por dentro nada está extinto
e, por fora,
essa canção que pertencia
ao mundo
é minha agora, é nossa.
Os vestígios estão reunidos no meu
coração.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Carlitos ‘El Apache’ Tevez 07.09.2011
Carlos Tevez é um jogador de futebol que admitiu esta semana ter sofrido uma depressão, o que levou a que tenha engordado cinco quilos.
Ora aquilo que um adepto não perdoa é ver um jogador com quilos a mais. De repente, é aceitável apelidar um jogador de ‘gordo’ e dizer-lhe isso na cara. Torna-se aceitável que mais de cinquenta mil pessoas gritem durante uma partida ‘gordo! gordo! gordo!’. Outra coisa imperdoável, do ponto de vista do adepto, é um jogador conceituado, de renome, que ganhe muito dinheiro, falhar um penalty. Ainda para mais falhar um penalty ao serviço da selecção do seu país numa competição internacional.
Quem segue futebol sabe perfeitamente que as exigências do país onde nascemos correm paralelas às exigências da nossa família.
Não tem nada a ver com o que é esperado desse jogador no clube onde joga. Aliás, piora e em muito a situação do jogador se ele marcar muitos golos pelo seu clube, mas nenhum pelo seu país.
Ora tudo isto aconteceu a Carlitos Tevez, o ídolo argentino, na última Copa América.
O mesmo Tevez que, ousou anunciar ao mundo que não gostava de viver em Manchester, onde ganha mais de duzentas mil libras por semana e que queria mudar de clube. Queria mudar para estar mais perto das suas duas filhas pequenas que não se adaptaram a viver em Manchester.
Confesso que tenho sentimentos contraditórios em relacção a este caso, talvez por ser uma grande fã de Carlitos Tevez desde os seus tempos no Boca Juniors e depois no Corinthians.
A um atleta que ganha tamanha fatia de libras exige-se-lhe que faça a sua parte, isto é, que vá aos treinos, que jogue bem, que marque golos. Ora o jogador argentino faz isto tudo. Mas também se exige que faça isto tudo com um sorriso nos lábios dentro e fora do campo, sem nunca se queixar. Tevez cometeu o erro fatal de se queixar. E de ‘barriga cheia’ como se costuma dizer. Mas se o dinheiro não traz felicidade, que relevância tem o Carlitos ganhar mais de duzentas mil libras por semana em relação à sua felicidade? Aqui é que eu fico um pouco confusa.
No outro dia li que a dor resolve-se sozinha, mas para sentir por completo o valor da felicidade há que ter alguém com quem a partilhar. O argumento do Tevez é que a sua família não quer viver em Manchester, donde se conclui que a sua alegria não é partilhada, logo não vivida por completo.
Não é preciso ter viajado muito para se saber que Manchester é totalmente diferente da Argentina ou de um país do sul da Europa. Em Manchester chove muito, faz muito frio, as lojas e cafés fecham cedo e não há muito que fazer. Mas há um clube disposto a pagar aos seus jogadores mais de duzentas mil libras por semana.
Em que ficamos então? Gostamos de estar em Manchester ou não?
Não acredito que haja muitas pessoas que digam que não a viver por uns anos em tais ‘condições’ ganhando tamanho ordenado...?
A questão é que as pessoas com empregos chamados ‘normais’ não têm o luxo da escolha, sacrificam-se por uma oportunidade única. Mas o Tevez tem com certeza muitas escolhas. Escolheu Manchester… outra vez! Já lá vivia quando assinou este segundo contracto. Mas, depois dada a profissão que tem, outras escolhas surgiram.
Não me quero concentrar no seu ordenado, mas sim na pessoa, no jogador.
Carlos Tevez nunca defraudou ninguém enquanto jogador. Dentro do campo um ídolo. Guerreiro, talentoso, goleador. Alegre. Dançarino.
Às vezes penso no que lhe passará pela cabeça. Talvez um misto de arrogância e ingenuidade. Há muita verdade e honestidade nos seus dribles e remates, nos seus passes e correrias, na sua forma de jogar.
Tal como houve honestidade ao admitir que sofreu uma depressão. Não me lembro de um jogador de futebol falar tão abertamente do que sente realmente. A depressão é ainda um assunto tabu no meio desportivo. Ora veja-se o caso da Vanessa Fernandes, ainda por explicar.
Quem é honesto tem que estar preparado para que as massas aplaudam, mas para que critiquem também.
No dia que vir Carlitos Tevez jogar mal começarei a acreditar que sim, que o dinheiro traz felicidade.
Até lá, viva el niño de Fuerte Apache!
Ora aquilo que um adepto não perdoa é ver um jogador com quilos a mais. De repente, é aceitável apelidar um jogador de ‘gordo’ e dizer-lhe isso na cara. Torna-se aceitável que mais de cinquenta mil pessoas gritem durante uma partida ‘gordo! gordo! gordo!’. Outra coisa imperdoável, do ponto de vista do adepto, é um jogador conceituado, de renome, que ganhe muito dinheiro, falhar um penalty. Ainda para mais falhar um penalty ao serviço da selecção do seu país numa competição internacional.
Quem segue futebol sabe perfeitamente que as exigências do país onde nascemos correm paralelas às exigências da nossa família.
Não tem nada a ver com o que é esperado desse jogador no clube onde joga. Aliás, piora e em muito a situação do jogador se ele marcar muitos golos pelo seu clube, mas nenhum pelo seu país.
Ora tudo isto aconteceu a Carlitos Tevez, o ídolo argentino, na última Copa América.
O mesmo Tevez que, ousou anunciar ao mundo que não gostava de viver em Manchester, onde ganha mais de duzentas mil libras por semana e que queria mudar de clube. Queria mudar para estar mais perto das suas duas filhas pequenas que não se adaptaram a viver em Manchester.
Confesso que tenho sentimentos contraditórios em relacção a este caso, talvez por ser uma grande fã de Carlitos Tevez desde os seus tempos no Boca Juniors e depois no Corinthians.
A um atleta que ganha tamanha fatia de libras exige-se-lhe que faça a sua parte, isto é, que vá aos treinos, que jogue bem, que marque golos. Ora o jogador argentino faz isto tudo. Mas também se exige que faça isto tudo com um sorriso nos lábios dentro e fora do campo, sem nunca se queixar. Tevez cometeu o erro fatal de se queixar. E de ‘barriga cheia’ como se costuma dizer. Mas se o dinheiro não traz felicidade, que relevância tem o Carlitos ganhar mais de duzentas mil libras por semana em relação à sua felicidade? Aqui é que eu fico um pouco confusa.
No outro dia li que a dor resolve-se sozinha, mas para sentir por completo o valor da felicidade há que ter alguém com quem a partilhar. O argumento do Tevez é que a sua família não quer viver em Manchester, donde se conclui que a sua alegria não é partilhada, logo não vivida por completo.
Não é preciso ter viajado muito para se saber que Manchester é totalmente diferente da Argentina ou de um país do sul da Europa. Em Manchester chove muito, faz muito frio, as lojas e cafés fecham cedo e não há muito que fazer. Mas há um clube disposto a pagar aos seus jogadores mais de duzentas mil libras por semana.
Em que ficamos então? Gostamos de estar em Manchester ou não?
Não acredito que haja muitas pessoas que digam que não a viver por uns anos em tais ‘condições’ ganhando tamanho ordenado...?
A questão é que as pessoas com empregos chamados ‘normais’ não têm o luxo da escolha, sacrificam-se por uma oportunidade única. Mas o Tevez tem com certeza muitas escolhas. Escolheu Manchester… outra vez! Já lá vivia quando assinou este segundo contracto. Mas, depois dada a profissão que tem, outras escolhas surgiram.
Não me quero concentrar no seu ordenado, mas sim na pessoa, no jogador.
Carlos Tevez nunca defraudou ninguém enquanto jogador. Dentro do campo um ídolo. Guerreiro, talentoso, goleador. Alegre. Dançarino.
Às vezes penso no que lhe passará pela cabeça. Talvez um misto de arrogância e ingenuidade. Há muita verdade e honestidade nos seus dribles e remates, nos seus passes e correrias, na sua forma de jogar.
Tal como houve honestidade ao admitir que sofreu uma depressão. Não me lembro de um jogador de futebol falar tão abertamente do que sente realmente. A depressão é ainda um assunto tabu no meio desportivo. Ora veja-se o caso da Vanessa Fernandes, ainda por explicar.
Quem é honesto tem que estar preparado para que as massas aplaudam, mas para que critiquem também.
No dia que vir Carlitos Tevez jogar mal começarei a acreditar que sim, que o dinheiro traz felicidade.
Até lá, viva el niño de Fuerte Apache!
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
O fascínio pela cultura popular 01.09.2011
O meu fascínio pela cultura popular de um país não sei de onde vem.
Não é por influência familiar, não é por influência de amigos, não é por influência de nada ou de ninguém.
Sempre tive um fascínio pela demonstração exagerada de um sentimento, principalmente através de uma canção. Ao estilo de Camilo Castelo Branco e a sua vida impulsiva, extenuando toda e qualquer emoção.
Não resisto a ouvir uma canção onde o intérprete cante o que sente como se aquele fosse o último dia da sua vida.
O exagero nas palavras, o olhar sentido, a angústia na voz. Tudo isto sempre me fascinou e viciou.
Tenho uma aliada nesta partilha pelo gosto de tudo o que é ‘popular’.
É uma ilusão pensar que não há qualidade numa canção popular. Muitas vezes eu e esta aliada somos apelidadas de ‘chunguitas’.
Pois chunguitas seremos para sempre. E com muito orgulho!
Não é por influência familiar, não é por influência de amigos, não é por influência de nada ou de ninguém.
Sempre tive um fascínio pela demonstração exagerada de um sentimento, principalmente através de uma canção. Ao estilo de Camilo Castelo Branco e a sua vida impulsiva, extenuando toda e qualquer emoção.
Não resisto a ouvir uma canção onde o intérprete cante o que sente como se aquele fosse o último dia da sua vida.
O exagero nas palavras, o olhar sentido, a angústia na voz. Tudo isto sempre me fascinou e viciou.
Tenho uma aliada nesta partilha pelo gosto de tudo o que é ‘popular’.
É uma ilusão pensar que não há qualidade numa canção popular. Muitas vezes eu e esta aliada somos apelidadas de ‘chunguitas’.
Pois chunguitas seremos para sempre. E com muito orgulho!
As palavras abundantes 05.09.2011
As palavras abundantes
mostram o que devia ser este sonho
só teu e meu.
O meu ninguem o irá
fazer por mim.
Contento-me
sujeito-me
ou encaro o vento
sem sentir mais do que uma brisa?
Suave é o caminho
da revolução que vai subindo
as escadas e que tropeça,
mas
abrem-se sempre
as mesmas três portas.
Sou isso e muito mais.
mostram o que devia ser este sonho
só teu e meu.
O meu ninguem o irá
fazer por mim.
Contento-me
sujeito-me
ou encaro o vento
sem sentir mais do que uma brisa?
Suave é o caminho
da revolução que vai subindo
as escadas e que tropeça,
mas
abrem-se sempre
as mesmas três portas.
Sou isso e muito mais.
domingo, 4 de setembro de 2011
A lógica 04.09.2011
Não sei o que pensar,
sei o que tem lógica
e razão de ser.
Mas a razão será a de sentir
e não a de pensar.
A capacidade de aprender
não é uma questão
mas um luxo sem razão.
Que fazer com o sentir?
sei o que tem lógica
e razão de ser.
Mas a razão será a de sentir
e não a de pensar.
A capacidade de aprender
não é uma questão
mas um luxo sem razão.
Que fazer com o sentir?
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