segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Eu espero 29.01.2013

Eu espero
porque eu quero
porque é tudo tão concreto,
como a chuva que não parou esta semana.
Reparaste?
Reparaste como nem o tempo ajudou?
Vivo como quem não tem ideia.
Logo eu que sempre tive tantas.
Podia dizer que sei, que tenho a certeza
que nunca vamos mudar
- uso um plural propositado
porque nunca te deixo -
mas quem me diz que isso é verdade?
Quem me diz o que quer que seja
senão este choque entre
      este meu coração
      e uma mente tão presente
que não me deixa esquecer as palavras que tu disseste
que não me deixa fugir?
É difícil viver o quotidiano sem seguir
um sentimento,
      não um qualquer mas este
este meu por ti.
Como sabes eu não sei.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Benfica-Porto um caso arrumado? 23.01.2013



Hoje é dia de ajuste de contas. Joga o Porto contra o Setúbal. Da última vez o jogo foi cancelado devido ao mau tempo. Irónico que a partida seja hoje depois de estes dias de imensa chuva e ventos fortes. Será o jogo novamente adiado? Será este um sinal de que aquele remate do Porto que, normalmente entraria, ficará um milímetro antes da linha de golo? Será empurrado para fora por uma relva cultivada de antagonismos por benfiquistas esperançosos pelo menos num empate? Os treinadores dizem sempre ‘eu só me preocupo com a minha equipa’. Será isso mesmo verdade? Será que os treinadores e jogadores do Benfica não vêem os jogos do Porto e não festejam, como nós encarnados, os golos dos adversários? Eu, por acaso, imagino bem esta noite o Luisão em sua casa em mais um churrasco rodeado do Alan Kardec e do Lima a festejar um goooooooooooooolo do Meyong. Grita o Kardec ‘Lima, tira o pé do chão’ e o Luisão ‘Poeiraaaaaaaaaaa, Poeiraaaaaaaaa Meyong levantou Poeiraaaaaaaaaaa!’.
Com a mesma convicção que um adepto portista acredita sempre numa vitória, eu acredito sempre num deslize. É impressionante esta convicção minha baseada em tudo menos factos. É raríssimo o Porto perder pontos, é raríssimo até perderem campeonatos. Mas é agora que entra o Fado, é agora que entra aquilo que eu gosto de escrever. São as coisas sobre as quais é impossível fazer estatísticas, relatórios, crónicas. 

Deixo-vos com Ana Moura…

E amanhã há mais

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Agora 16.01.2013




Como me sinto agora
é como um sentimento inventado
já procurei sinónimos
coisas já escritas
mas nada.
E agora que faço eu
se a ninguém posso perguntar
o que acontece a seguir?
Se em nenhum livro encontrarei
aquele parágrafo.
Agora só posso ser eu.

Somos sempre nós 16.01.2013



Agora sou só eu
ou não?
Somos sempre só nós.
O nós eu e tu
e o nós
minha mente
e meu coração.
Contigo estou sempre.
Não sei ser de outra maneira.
Não sei ir e deixar
o meu coração para trás.
Posso ir sim
mas não sou eu quem vai
é esta outra pessoa com quem
terei que aprender a viver.

domingo, 13 de janeiro de 2013



Benfica-Porto 13.01.2013

Hoje é dia de Benfica-Porto. Leio os jornais e as primeiras páginas são um desfilar de personalidades, sempre as mesmas, supostamente entendidas em futebol. O engraçado é que muitas dessas personalidades são também especialistas em muitos outros assuntos. É comum a mesma pessoa que opina sobre bola ser a mesma que ao Domingo à noite nos elucida sobre a política externa. Será que é mesmo como diz a minha mãe ‘ó Filipa, mas não vês que este país é muito pequeno.’? Pois eu não sei, mas para além disso os tempos passam e as pessoas que opinam nos jornais desportivos não mudam e no caso do futebol não mudam mesmo, porque é um tema dado ao fanatismo onde as cores clubísticas são as mesmas ao longo da vida. São comuns os almoços entre duas personalidades da sociedade, ora um do Benfica outro do Porto e assim se gasta uma página do jornal. Estas duas pessoas normalmente posam brindando ao sucesso de futebol ‘Espero que no final seja o futebol que ganhe e não se fale de árbitros, nem de dirigentes!’. Sim senhora, mas são estas mesmas pessoas que no dia a seguir escrevem nesses mesmos jornais a criticar as decisões dos árbitros e os discursos dos dirigentes. Quem lê A Bola, o Record e O Jogo como eu, sabe quem são estas pessoas. Falta poesia no futebol, falta sentimento nas palavras. Falta aquilo que o Alan Kardec exprimiu quando marcou o seu golo contra a Académica: emoção. Eu sou do Benfica, toda a gente sabe disso. Custa-me escrever sobre outro clube, sobre outras cores, mas consigo que uma pessoa que não gosta de futebol goste de ler os meus textos sobre esse assunto. Será assim tão difícil entrar no mundo da escrita futebolística? Será que por não ser ‘famosa’ em outras áreas da sociedade, sendo a advogada de alguém conhecido ou médica de um ex-Presidente não tenho direito a publicar o que escrevo? É comum e aceitável em Portugal, assim que uma pessoa é reconhecida numa área, como a comédia por exemplo, ser-lhe dado espaço de escrita num jornal desportivo. Em Portugal parece que é exigido a uma pessoa que seja boa em tudo e assim que é boa numa coisa a sua opinião é escutada em todos os assuntos. E ganha valor porque foi dita por aquela pessoa. Faz sentido? Não se pode escrever com a tal ‘emoção’ se não nos sentamos nas bancadas, se não vemos as partidas nos cafés por esse país fora, se não somos apenas mais um, neste caso mais uma. Eu fui a Olhão ver o Olhanense-Benfica e é uma experiência que recomendo a qualquer um. Não há tecnologia há dizer-nos quantos minutos faltam para o final da primeira parte, não há ecrãs gigantes com apresentação de jogadores e estatísticas, não há muita coisa, mas há muitos benfiquistas emocionados por verem o seu Benfica na sua terra. E que terra é Olhão! Também há muitos adeptos, claro do Olhanense e do Olhanense apenas. Aliás este é um fenómeno que tem crescido em Portugal, o de apoiar a equipa da terra e não um dos grandes. Em Inglaterra isso é comum, uma das razões pelas quais estão os estádios sempre cheios. Mas isso é assunto para outro texto. Hoje é dia de Benfica-Porto e não gosto de falar antes, mas não há sentimento como este que antecede um clássico destes. É muita emoção… Outra vez a emoção…